Páginas

quinta-feira, 29 de outubro de 2026

 Política

Sargento da Polícia Militar e assessor de deputada do PSOL partido de extrema esquerda da base de apoio de Lula estão entre os presos em operação contra exploração sexual de jovens no RJ.

A investigação apura uma rede que produzia vídeos de violência contra adolescentes para ameaçar e chantagear as vítimas.

Um sargento da Polícia Militar e um assessor parlamentar da deputada federal Talíria Petrone (PSOL) estão entre os presos nesta quarta-feira (28) durante uma operação da Polícia Civil contra uma quadrilha suspeita de produzir vídeos de pornografia com adolescentes em um esquema de escravidão sexual.


O terceiro-sargento Maurício Douglas Souza das Chagas Moura, de 35 anos, foi levado para a 74ª DP (Alcântara), responsável pela investigação. Já o assessor Carlos Alberto Lucio Bittencourt Filho, de 45 anos, também foi preso durante a operação.

A ação, batizada de NXIVM, teve como objetivo cumprir 10 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão em Niterói, São Gonçalo e Maricá, na Região Metropolitana do Rio.


Ao todo, oito mandados de prisão foram cumpridos. Um dos alvos já estava preso e teve o mandado cumprido na cadeia.

A investigação começou em julho, depois da prisão de Matheus Rodrigues Gonçalves, que trabalhava no gabinete do vereador de Niterói Professor Túlio (PSOL). Ele é acusado de estuprar uma adolescente de 16 anos em Icaraí. Matheus também foi alvo de um mandado de prisão nesta quarta-feira, cumprido na cadeia.


“Essa investigação começou no finalzinho de julho do corrente ano quando os pais dessa adolescente a trouxeram na delegacia. Eles estavam estranhando a mudança de comportamento dela, mudança de horários”, disse o delegado Antônio Silvino.


“O irmão dela conseguiu abrir, tirar a senha do celular dela e viu dentro do celular dela vários vídeos pornográficos”, acrescentou.

A análise do material apreendido na casa de Matheus foi fundamental para identificar outros envolvidos e mapear a atuação do grupo.

Estupros coletivos e torturas

Segundo as investigações, os alvos registravam cenas de estupros coletivos e torturas. Depois, usavam as imagens para ameaçar e chantagear a adolescente, que acabava voltando por vergonha e medo.


A Polícia Civil define o esquema como uma “escravidão sexual” das menores, nas quais os criminosos se autodenominavam “senhores”, enquanto as vítimas eram tratadas como “escravas”.


“Filmaram essas relações sexuais com ela e, a partir daí, começaram a ameaçá-la, chantageá-la. ‘Se você não voltar, nós vamos mostrar pro teu pai, pra tua mãe, colocar na rede social’. E cada vez que ela voltava, o grau aumentava, cada vez mais violência”, disse o delegado.

Outro preso é Miguel Ribeiro Magni, de 20 anos, suspeito de filmar as agressões. Também foram detidos João Lucas Figueiredo Perrenoud, João Pedro Alecrim Soares, Natã Marques Pereira e Carlos Otávio de Oliveira Soares da Silva.

Os investigados podem responder por estupro de vulnerável, corrupção de menores, exploração sexual de adolescente, associação criminosa e tortura.


A polícia trabalha agora para identificar outras possíveis vítimas e pessoas que aparecem nos vídeos encontrados no material apreendido. Os investigadores também não descartam a participação de outros policiais militares no esquema.


“Certamente agora, com a quebra dos dados telemáticos, de tudo que nos apreendemos hoje, computadores, laptop, celular, tablet, vai originar com certeza a segunda, terceira, quarta, não sei quantas fases da nossa operação. Mas com certeza tem muito mais gente envolvida, isso é uma rede muito grande”, explicou o delegado.

O que dizem os citados

A Polícia Militar disse que acompanha os desdobramentos da investigação para avaliar as medidas cabíveis contra o sargento Maurício Douglas Souza das Chagas Moura. A corporação reforçou que não tolera desvios de conduta ou o cometimento de crimes por seus integrantes e que adota medidas administrativas e disciplinares sempre que as irregularidades são constatadas.


A deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ) afirmou que determinou a exoneração do assessor citado na investigação. Ela disse que foi surpreendida pela operação, manifestou solidariedade à vítima e à família e defendeu que as investigações sejam conduzidas com rigor, transparência e independência.


Já o vereador Professor Túlio, também do PSOL, disse que exonerou o assessor Matheus Gonçalves ainda em julho, assim que soube da prisão. O parlamentar disse que solidariza com as vítimas e defende que o caso seja investigado e os culpados, responsabilizados.


A reportagem também pediu posicionamentos ao PSOL e à Câmara de Vereadores de Niterói, mas não teve resposta.


Com informações do g1





















Nenhum comentário:

Postar um comentário