CONTRA A DITADURA DA TORGA E A FAVOR DO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO
Entidades criticam busca contra fonte do jornalista Luis Pablo por decisão de Moraes
Entidades afirmam que operação contra fonte de jornalista maranhense abre precedente perigoso e pode ameaçar a liberdade de imprensa
envolve conversas entre Luis Pablo e Diogo Diniz Lima, ex-secretário municipal de Urbanismo e Habitação de São Luís.
Segundo trecho da decisão, a PF encontrou mensagens relacionadas à produção de reportagens sobre Flávio Dino. Os investigadores também identificaram uma transferência bancária de R$ 100 mil de Diogo Lima em favor de Luis Pablo, mas realizada para uma conta pertencente a Danilo Cutrim Bezerra.
Conforme a investigação, o pagamento teria relação com parte do valor da compra de um imóvel pertencente a Danilo Cutrim. As circunstâncias da movimentação financeira aparecem entre os elementos analisados pela Polícia Federal.
A investigação também trabalha com a suspeita de perseguição contra Flávio Dino, enquanto busca esclarecer a obtenção e o compartilhamento de informações referentes ao ministro e à família dele. O processo tramita sob segredo de justiça.
A defesa de Raimundo Cutrim afirmou que ainda não teve acesso aos processos relacionados às operações. Em nota, sustentou que as diligências desta terça-feira estão ligadas às reportagens de Luis Pablo sobre o suposto uso irregular de veículos do Tribunal de Justiça do Maranhão pela família de Flávio Dino.
A defesa também afirmou que as denúncias apresentadas nas reportagens ainda não teriam sido apuradas.
A assessoria de Flávio Dino, por sua vez, negou qualquer utilização irregular dos veículos. Segundo o ministro, um carro blindado foi disponibilizado após solicitação da Secretaria de Segurança do STF, dentro de um acordo de cooperação mantido com tribunais do país.
A assessoria afirmou que detalhes sobre o esquema de proteção não podem ser divulgados por razões de segurança e ressaltou que Dino e familiares são alvos de ameaças.
Segundo a manifestação, investigações recentes teriam identificado inclusive monitoramento e acompanhamento de veículos particulares utilizados pelo ministro e por integrantes de sua família. Diante de fatos novos, o gabinete informou ter solicitado medidas adicionais de segurança, também mantidas sob caráter reservado.
Raimundo Cutrim já havia sido alvo de outra medida judicial em julho, quando Flávio Dino determinou sua prisão domiciliar em investigação distinta. Nesse procedimento, igualmente sigiloso no STF, são apuradas suspeitas de obstrução de Justiça e coação no curso do processo.
A nova operação acrescentou ao caso uma discussão que ultrapassa a investigação criminal: os limites da atuação estatal quando as diligências alcançam a relação entre um jornalista e uma pessoa apontada como sua fonte. É justamente nesse ponto que ANJ, Abert e Aner concentram suas críticas, defendendo que a proteção constitucional ao sigilo da fonte é indispensável ao exercício da atividade jornalística.











