Política
Listas de boicote a empresas por ideologia política que apoiaram Lula ou Flávio Bolsonaro circulam pelo MA; empresários se manifestam
Uma lista que classifica estabelecimentos comerciais de São Luís como sendo de esquerda ou de direita passou a circular nas redes sociais e em grupos de WhatsApp após o segundo turno das eleições presidenciais. A lista conta com pelo menos 30 estabelecimentos comerciais classificados como de esquerda e 19 de direita.
A publicação incentiva consumidores a boicotar empresas associadas a uma ideologia política, mas não apresenta comprovação do posicionamento atribuído aos estabelecimentos.
Após a repercussão, alguns empresários se manifestaram nas redes sociais e publicaram notas para esclarecer que não possuem posicionamento político-partidário. Os responsáveis pelos negócios também criticaram a iniciativa e os possíveis prejuízos aos trabalhadores e às famílias que dependem da atividade comercial.
Em vídeo publicado nas redes sociais, a empresária Carol Paixão criticou a inclusão da empresa de sua família na lista, classificada como de esquerda, e o incentivo para que pessoas identificadas com a direita deixem de frequentar o estabelecimento.
“Quando tentam boicotar uma empresa, não estão atingindo apenas o empresário. Estão atingindo e prejudicando funcionários, trabalhadores, famílias que dependem daquele salário para colocar comida na mesa”, afirmou.
Carol também informou que a advogada da empresa reuniu dados sobre a lista para encaminhá-los ao Ministério Público.
Em Buriticupu, a empresária Thalyta Mendonça, responsável por dois empreendimentos, também se manifestou após seus negócios serem citados em uma lista semelhante que circula no município.
“A que ponto nós chegamos?! É triste! Onde fica a democracia? Quer dizer, se eu escolho um lado A ou B para votar, eu não mereço que as pessoas comprem na minha mão? Vamos trabalhar e deixar as outras pessoas trabalharem”, declarou.
A empresária questionou a associação entre escolhas políticas e o consumo em estabelecimentos comerciais e defendeu que os empreendedores possam continuar trabalhando independentemente de suas preferências eleitorais.
Polícia Civil orienta empresários a registrar ocorrência
Em nota, a Polícia Civil do Maranhão informou que empresas mencionadas em listas de boicote podem procurar uma unidade policial para registrar ocorrência e apresentar os fatos, caso entendam que foram vítimas de alguma conduta criminosa.
A instituição esclareceu, porém, que a divulgação de uma lista de empresas com a finalidade de promover um boicote não configura necessariamente crime. Segundo a Polícia Civil, a avaliação depende do conteúdo divulgado e das circunstâncias de cada caso.
A análise deve considerar, especialmente, a eventual existência de ameaças, constrangimentos, perseguição, danos ou outras condutas que possam ter relevância criminal.














