Entenda por que candidatos ficaram de fora da Câmara mesmo com mais votos que alguns eleitos
Com os resultados das eleições realizadas neste domingo (4), alguns maranhenses de votação expressiva ficaram de fora da Câmara dos Deputados. Quatro deles, inclusive, receberam mais votos do que alguns nomes que garantiram cadeiras em Brasília.
Duarte Jr. (Avante), Fernando Braide (PSD), Fábio Macedo (Podemos) e Othelino Neto (PSB) ficaram de fora da Casa Legislativa, mesmo com mais votos do que alguns dos eleitos. Em um primeiro momento, isso pode confundir o eleitor. Afinal, por que candidatos menos votados são eleitos?
Isso acontece por causa do modelo das eleições para deputados federais. Diferentemente das disputas para cargos majoritários (prefeitos, senadores, governadores e presidente da República), os candidatos à Câmara concorrem em votação realizada no modelo proporcional, o mesmo usado para cargos nas assembleias legislativas estaduais e câmaras municipais.
O modelo majoritário contabiliza os votos válidos de maneira absoluta, ou seja, aqueles que receberem mais votos vencem. Já as eleições proporcionais funcionam de uma outra forma, com o objetivo de valorizar mais as legendas do que os candidatos individualmente.
Para entender o modelo, é preciso primeiro abordar os conceitos de quociente eleitoral (QE) e quociente partidário (QP). O primeiro indica quantos votos são necessários, em média, para conquistar uma cadeira. Ele é calculado dividindo o total de votos válidos para aquele cargo pelo número de cadeiras disponíveis.
No caso dos deputados federais maranhenses, este ano o quociente eleitoral foi de 220.609 votos. Ou seja, somando todos os votos recebidos, um partido ou federação precisaria desse mínimo para ter direito a uma cadeira.
Já o quociente partidário determina quantas cadeiras o partido ou federação tem direito, e é calculado dividindo os votos válidos da legenda pelo quociente eleitoral. A partir do resultado, são distribuídas as cadeiras para os melhores colocados da legenda em questão, enquanto os que ficam de fora estabelecem a ordem de suplência.
Da mesma forma, Fernando Braide (PSD) teve mais votos do que cinco dos deputados federais eleitos, mas não garantiu uma cadeira pelo fato de o PSD ter somado 163.394 votos, também abaixo do QE.
Já Fábio Macedo (Podemos) e Othelino Neto (PSB) receberam, respectivamente, 78.476 e 74.414 votos. Os números superam os de Márcio Jerry (PCdoB), menos votado entre os eleitos, sendo escolhido por 54.953 dos eleitores, mas também não foram suficientes para ajudar seus partidos a atingir o quociente eleitoral.
A lista abaixo mostra de maneira mais detalhada à frente de quais candidatos eleitos ficaram os quatro candidatos mencionados no total de votos:
Menos votos que Duarte Jr. (140.961 votos)
Amanda Gentil (PP) – 137.642 votos
Larissa DP (MDB) – 137.136 votos
Erlanio Xavier (PDT) – 127.715 votos
Juscelino Filho (PSDB) – 124.794 votos
Hildo Rocha (MDB) – 115.172 votos
Mariana Carvalho (PL) – 113.228 votos
Junior Lourenço (MDB) – 107.410 votos
Marreca Filho (PRD) – 99.698 votos
Rubens Pereira Jr. (PT) – 92.916 votos
Josivaldo JP (União Brasil) – 87.663 votos
Aluisio Mendes (Republicanos) – 83.152 votos
Dr. Orlando (PL) – 82.827 votos
Márcio Jerry (PCdoB) – 54.953 votos
Menos votos que Fernando Braide (96.269 votos)
Rubens Pereira Jr. (PT) – 92.916 votos
Josivaldo JP (União Brasil) – 87.663 votos
Aluisio Mendes (Republicanos) – 83.152 votos
Dr. Orlando (PL) – 82.827 votos
Márcio Jerry (PCdoB) – 54.953 votos
Menos votos que Fábio Macedo (78.476 votos)
Márcio Jerry (PCdoB) – 54.953 votos
Menos votos que Othelino Neto (74.414 votos)
Márcio Jerry (PCdoB) – 54.953 votos
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