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quinta-feira, 23 de julho de 2026

EXCLUSIVO

Tremor de terra é registrado em Caxias-MA nesta quarta-feira (22)

Um tremor de baixa magnitude foi detectado no município de Caxias (MA), na manhã desta quarta-feira (22) pelo Laboratório Sismológico da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (LabSis), que faz monitoramento. 


O abalo sísmico foi de magnitude 2,8 graus na escala Richter na cidade maranhense, que fica cerca de 70 km de Teresina. 


Um tremor de terra de 2.8 mR é um abalo sísmico de baixa magnitude. A sigla "mR" refere-se a uma variação da Escala Richter (chamada de magnitude regional ou local). 


Werton Costa, diretor de Prevenção e Mitigação da Defesa Civil do Piauí, explicou que o fenômeno é de pouca energia, sendo muitas vezes imperceptível para a maioria das pessoas ou sentido apenas como uma leve vibração. 


“Esse tipo de sismo é fraco. Nem é sentido pelas pessoas. Só pela máquina, o sismógrafo”, explicou Werton Costa. 


Em fevereiro deste ano, o Laboratório Sismológico da Universidade Federal do Rio Grande do Norte detectou um tremor de terras de magnitude 1,5 graus na escala Richter em áreas na zona rural do município de Castelo do Piauí (a 190 km de Teresina). O abalo sísmico foi registrado às 10h e não houve registro de prejuízos.


Doutorando do curso de geografia física da Universidade Federal de Minas Gerais, Rafael J. Marques, também reforçou que o sismo é de magnitude baixa em Caxias. 


O professor destacou que a área é geologicamente inserida na bacia sedimentar do Parnaíba, formada a milhões de anos, em camadas de depósitos de sedimentos.


“Não se trata de uma zona de grandes falhas geológicas, mas apenas pequenos ajustes naturais da crosta ou acomodação de terreno (profundidade moderada a grande) próximo a estrutura de calha de bacia. Tremores abaixo de 3.0 são considerados microtremores. Não causam danos e muitas vezes passam despercebidos. É naturalmente leve e imperceptível e sem risco”, disse Rafael Marques.


Fenômeno como esse são registrados apenas por instrumentos de medição (sismógrafos). 


“No geral, a população quase nunca sente. Sem risco estrutural ou impacto em construções, estradas ou outras infraestruturas básicas. Lembrando que o Brasil se encontra na pordão central de uma placa tectonica (Placa Sul-Americana, ou seja, na porção central de uma placa tectônica estável), por isso não estando suscetível a grandes sismos ou tremores”.



MPC pede auditoria nas UTIs do Hospital da Criança após relatos de redução de médicos

Documento aponta divergências nos registros de mortes e solicita medidas para garantir plantões, medicamentos, equipamentos e transferências.

Por g1 MA, TV Mirante — São Luís


22/07/2026 15h26 Atualizado há 7 horas


Ministério Público de Contas pede auditoria em UTIs pediátricas

Ministério Público de Contas pede auditoria em UTIs pediátricas


O Ministério Público de Contas do Maranhão (MPC-MA) pediu uma auditoria urgente nas três Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) pediátricas do Hospital da Criança Dr. Odorico Amaral de Matos, em São Luís.


O órgão afirma ter identificado indícios de redução da equipe médica, possíveis problemas na qualificação dos profissionais e divergências entre os dados de mortes registrados na unidade.


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O pedido foi apresentado na terça-feira (21) ao Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA) e envolve o contrato firmado pela Prefeitura de São Luís com o Instituto Brasileiro de Serviços Médicos (IBMED), responsável pela gestão das UTIs desde outubro de 2025.


Além da auditoria, o MPC pediu que a Secretaria Municipal de Saúde (Semus) apresente, em até 48 horas, um plano emergencial para garantir o funcionamento das unidades, a cobertura dos plantões e a disponibilidade de medicamentos e equipamentos.


A representação é assinada pelo procurador-geral de contas, Douglas Paulo da Silva, e pelos procuradores Jairo Cavalcanti Vieira e Paulo Henrique Araújo dos Reis.


O documento foi encaminhado ao conselheiro Marcelo Tavares Silva, relator das contas de 2026 do município de São Luís.


Quem deve prestar esclarecimentos

MPC pede auditoria nas UTIs do Hospital da Criança após relatos de redução de médicos — Foto: Reprodução/TV Mirante

MPC pede auditoria nas UTIs do Hospital da Criança após relatos de redução de médicos — Foto: Reprodução/TV Mirante


O MPC pede que sejam chamados a prestar esclarecimentos a prefeita de São Luís, Esmênia Miranda; a secretária municipal de Saúde, Ana Carolina Marques Mitri da Costa; o diretor-geral do Hospital da Criança; e o IBMED.


Segundo a representação, a prefeita é citada como responsável final pela política municipal de saúde.


A secretária de Saúde é apontada como responsável pela contratação, supervisão e fiscalização do serviço prestado pelo instituto.


O documento informa que o nome do diretor-geral do hospital ainda deverá ser confirmado pelo MPC junto à administração municipal.


Plano emergencial

O Ministério Público de Contas pede que a Semus apresente um plano emergencial assinado pelos gestores e responsáveis técnicos pela unidade.


O documento deverá informar o número de profissionais disponíveis em cada UTI e turno, as medidas para cobrir ausências nas escalas e as condições de funcionamento dos setores.


Também deverão ser apresentadas informações sobre a disponibilidade de medicamentos e equipamentos, os procedimentos para transferência de pacientes e os riscos relacionados à mortalidade.


O MPC pede ainda a criação de indicadores que permitam acompanhar o cumprimento das medidas propostas.


Redução da equipe médica

Segundo a representação, o contrato com o IBMED começou a ser executado em 13 de outubro de 2025.


Com base em relatos de profissionais que trabalham ou já trabalharam no hospital, o MPC afirma que, até 12 de outubro daquele ano, as três UTIs pediátricas contavam com cerca de 53 médicos.


As escalas teriam, em média, oito profissionais pela manhã, seis à tarde e seis à noite.


Após o início da gestão pelo IBMED, ainda segundo os relatos reunidos pelo MPC, houve uma redução significativa no número de profissionais. Em alguns plantões, apenas três médicos teriam ficado responsáveis simultaneamente pelas três UTIs, o equivalente a um profissional por unidade.


A representação também aponta uma possível diferença entre o planejamento da contratação e o edital.


O Estudo Técnico Preliminar (ETP) considerava três centros separados de terapia intensiva: dois com capacidade para dez leitos e um com nove.


Esse modelo indicaria, segundo o MPC, a necessidade de profissionais de referência em cada uma das unidades.


No entanto, há indícios de que o edital tenha considerado as três UTIs como um único centro de atendimento, com 29 leitos e apenas um coordenador técnico para todo o complexo.


Para o Ministério Público de Contas, uma eventual interrupção ou redução inadequada da assistência pode representar uma irregularidade, mesmo que não seja comprovada uma relação direta com cada morte registrada no hospital.


“Uma UTI sem quadro médico suficiente para cobrir integralmente seus plantões simplesmente deixa de prestar, com segurança, o serviço de terapia intensiva a que se destina”, afirma o documento.


Qualificação dos profissionais

O MPC também aponta indícios de que parte dos profissionais disponibilizados pelo IBMED não teria qualificação técnica específica para atender crianças em estado grave.


Segundo a representação, as informações foram obtidas por meio de relatos de profissionais da própria unidade e de apontamentos feitos pela Defensoria Pública do Estado do Maranhão.


A auditoria deverá analisar a situação de cada profissional que atuou nas UTIs.


Entre os pontos que deverão ser verificados estão:


formação acadêmica;

especializações;

validade dos títulos apresentados;

Irregularidade da inscrição nos conselhos profissionais;

compatibilidade entre a formação e as funções exercidas;

experiência comprovada em terapia intensiva pediátrica.

Divergência nos dados de mortes

A representação reúne três conjuntos de dados sobre mortes no Hospital da Criança e reconhece que existem divergências entre os números.


Dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), disponíveis no DataSUS e citados em um procedimento do Ministério Público do Maranhão, indicariam 113 mortes de crianças no hospital em 2025.


Desse total, 101 teriam ocorrido nas três UTIs pediátricas.


Em 2024, teriam sido registradas 39 mortes nesses setores. A diferença representa um aumento aproximado de 159%.


Indicadores internos do Hospital da Criança, referentes ao período entre 1º de janeiro e 30 de junho de 2026, apontam 65 mortes.


Desse total, 53 ocorreram nas UTIs pediátricas. Segundo o MPC, o número representa um aumento de 38,89% em comparação com o mesmo período do ano anterior.


A Prefeitura de São Luís, por outro lado, apresentou publicamente dados que indicam um crescimento de aproximadamente 4,5% na mortalidade geral do hospital entre 2024 e 2025.


Conforme os números apresentados pelo município, o total de mortes passou de 112 para 117.


Para o MPC, a divergência entre as bases oficiais já justifica a realização de uma análise técnica independente.


O órgão ressalta, no entanto, que os dados não permitem estabelecer uma relação direta entre a mudança na gestão das UTIs e o aumento das mortes.


A representação afirma que os números apontam uma tendência de crescimento no período posterior à alteração do modelo de atendimento, que deverá ser investigada.


Casos citados na representação

O documento cita, como exemplos, as mortes de quatro crianças atendidas no Hospital da Criança:


Kerliane, de 7 anos, que morreu em abril de 2026;

Otto, de 9 meses, que morreu em janeiro de 2026, após 17 dias internado;

os gêmeos Bento e Bernardo, de 4 meses, que morreram entre junho e julho de 2026, com menos de 24 horas de diferença.

Segundo informações divulgadas pela imprensa e relatos de familiares reunidos pelo MPC, os casos envolveram alegações de demora no atendimento, problemas em prescrições médicas e falta de materiais e medicamentos essenciais.


Também foram relatadas dificuldades para a realização de procedimentos de urgência.


Em um dos casos, a família afirmou que houve uma tentativa frustrada de usar um desfibrilador durante uma parada cardiorrespiratória.O MPC ressalta que os relatos, isoladamente, não comprovam falhas no atendimento nem permitem afirmar que as mortes foram provocadas pelos problemas apontados.


Segundo o órgão, a apuração depende da análise de prontuários, protocolos médicos, escalas de profissionais e registros sobre a disponibilidade de medicamentos e equipamentos.


A representação afirma, porém, que os casos não devem ser tratados apenas como percepções individuais.


Para o MPC, a proximidade entre as mortes e a semelhança das alegações levantam a hipótese de um problema sistêmico que precisa ser investigado.


Outras investigações

A representação informa que outras apurações sobre o atendimento no Hospital da Criança estão em andamento.


O Ministério Público do Maranhão instaurou investigações nas áreas cível e criminal.


Também há um procedimento investigatório no Ministério Público Federal e um inquérito policial aberto após o registro de um boletim de ocorrência feito por um familiar de paciente.


Uma equipe do Departamento Nacional de Auditoria do Sistema Único de Saúde (DenaSUS), ligado ao Ministério da Saúde, realizou uma auditoria extraordinária no hospital em 14 de julho de 2026.


Segundo a representação, o relatório final da auditoria ainda não havia sido divulgado.


O MPC pede que sejam solicitadas ao Ministério Público do Maranhão, ao Ministério Público Federal, à Defensoria Pública, ao Ministério da Saúde e ao Conselho Municipal de Saúde cópias dos documentos já produzidos.


O objetivo é usar essas informações na auditoria do TCE e evitar a repetição de procedimentos que já tenham sido realizados.


Pedido de urgência

O Ministério Público de Contas afirma que as possíveis irregularidades não se limitam ao passado e que há indícios de que o número de profissionais ainda esteja abaixo do necessário.


Para o órgão, uma eventual falha no atendimento pode causar danos irreversíveis, que não poderiam ser reparados apenas com o pagamento de indenizações.


O MPC pondera, no entanto, que uma suspensão repentina do contrato ou o fechamento de leitos, sem um plano de transição, poderia agravar a falta de atendimento.


Por esse motivo, o pedido não prevê a suspensão imediata do contrato.


A representação solicita a realização urgente da auditoria, a manutenção de padrões mínimos de atendimento, a preservação de documentos e o acompanhamento intensivo das UTIs.


O documento também afirma que uma futura substituição do IBMED, suspensão do contrato ou redução da capacidade do hospital deverá ser precedida de uma avaliação de impacto e de um plano para a transferência segura dos pacientes.


Documentos solicitados

O MPC pede que a Prefeitura de São Luís, a Semus, a direção do hospital e o IBMED apresentem, em até 48 horas:


a íntegra do processo de contratação;

os nomes e as escalas de todos os profissionais que atuaram desde o início do contrato;

o mapa diário de ocupação dos leitos desde janeiro de 2024;

os relatórios da Comissão de Revisão de Óbitos;

os documentos do Núcleo de Segurança do Paciente;

os relatórios da Comissão de Controle de Infecção;

o inventário de medicamentos e equipamentos, incluindo desfibriladores e ventiladores;

as notas fiscais que demonstrem a relação entre os valores pagos e os serviços ou materiais entregues.

Novos depoimentos

Investigações sobre mortes de crianças avançam com novos depoimentos

Investigações sobre mortes de crianças avançam com novos depoimentos


A Polícia Civil do Maranhão ouviu, na última segunda-feira (20), novos depoimentos de mães e pais de crianças que morreram após receberem atendimento no Hospital da Criança Dr. Odorico Amaral de Matos, em São Luís.


Os relatos fazem parte de cinco inquéritos que investigam as circunstâncias das mortes e denúncias de irregularidades nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) pediátricas do hospital. A polícia busca identificar se houve responsabilidade criminal.


Entre os casos apresentados à polícia está o de Nicholas, de 7 anos. Segundo a mãe, Núbia Carneiro, o menino deu entrada no Hospital da Criança no dia 7 de junho deste ano e morreu após uma série de supostas falhas no atendimento.


Núbia afirma que houve falhas no atendimento e falta de preparo por parte dos profissionais que atenderam o filho. Segundo ela, os médicos disseram que a criança morreria antes mesmo da conclusão dos exames.


“Os médicos olhavam para mim e diziam: ‘Mãe, ele vai morrer’. Eu olhava para eles do outro lado da cama, com meu filho intubado, recebendo oxigênio e cheio de fios. Eu disse à médica: ‘Como assim ele vai morrer? Eu trouxe ele aqui quatro vezes. Ele tem alguma bactéria?’. Foi então que fizeram um hemograma. O resultado mostrou que ele realmente tinha uma bactéria e precisava fazer uma tomografia, mas não deu tempo. Ele poderia ter feito a tomografia nas últimas três vezes”, disse a mãe.

Na noite desta segunda-feira (20), o delegado Joviano Furtado informou que a Polícia Civil abriu um novo inquérito para investigar a morte de Nicholas Jan Zeeuw, de 7 anos. Com isso, subiu para cinco o número de investigações relacionadas a mortes de crianças que passaram pelo Hospital da Criança, em São Luís. — Foto: Reprodução/ TV Mirante


O pai da criança, Arthur Zeeuw, é holandês e estava no país de origem quando Nicholas foi internado. Segundo ele, a família acompanhou o atendimento à distância.


Arthur afirma que Núbia foi impedida de fazer uma chamada de vídeo para que ele pudesse ver e se despedir do filho nos últimos momentos de vida.


A Polícia Civil abriu cinco inquéritos relacionados ao Hospital da Criança. Um deles apura o suposto aumento no número de mortes nas UTIs pediátricas da unidade.


Na noite desta segunda-feira (20), o delegado Joviano Furtado informou que a Polícia Civil abriu esse quinto inquérito para investigar a morte de Nicholas Jan Zeeuw, de 7 anos.


Os outros três investigam, separadamente, as mortes de Otto, de 1 ano; Kerliane, de 7 anos; Bernardo, de 4 meses.


Os pais de Otto foram os primeiros a prestar depoimento nesta segunda-feira (20). Eles contaram ao delegado o que teria acontecido durante os 17 dias em que o filho permaneceu internado.


Otto deu entrada no hospital em janeiro deste ano com uma infecção intestinal. Segundo a família, ele morreu após desenvolver um quadro de choque séptico, uma reação grave do organismo a uma infecção.


A mãe de Kerliane, Jainara Souza dos Santos, também foi ouvida pela polícia. A menina morreu no dia 29 de abril, após quatro dias de internação.


Segundo a mãe, Kerliane procurou o hospital com dor em uma das pernas depois de sofrer uma queda. A criança foi liberada, mas voltou à unidade dois dias depois.


O atestado de óbito aponta como causas da morte uma parada respiratória associada a uma infecção generalizada. A mãe acusa o hospital de negligência e cobra respostas sobre o atendimento prestado à filha.


O delegado Joviano Furtado informou que a Polícia Civil já recebeu os prontuários médicos de Otto, Kerliane e Bernardo. Os documentos devem passar por análise técnica durante as investigações.


Na semana passada, duas médicas e a diretora-geral do Hospital da Criança também prestaram depoimento. Elas foram ouvidas no inquérito que investiga a morte de Bernardo.


O bebê morreu cerca de 30 horas após o irmão gêmeo, Bento. A polícia apura os procedimentos adotados durante o atendimento das duas crianças.


Defensoria aponta irregularidades

Relatório da Defensoria expõe falhas em hospital infantil

Relatório da Defensoria expõe falhas em hospital infantil


Uma nota técnica da Defensoria Pública do Estado do Maranhão apontou irregularidades encontradas durante uma inspeção nas três UTIs pediátricas do Hospital da Criança.


Segundo a Defensoria, foram identificados déficit de profissionais, ausência de médicos diaristas e de coordenadores técnicos, atuação de profissionais sem a especialização exigida e número insuficiente de fisioterapeutas especializados.


A instituição também registrou relatos de falta recorrente de medicamentos, demora na liberação dos leitos e falhas na transferência de crianças que precisavam de atendimento em UTI.


Familiares e profissionais relataram ainda atrasos no atendimento e a substituição de medicamentos por outros considerados menos eficazes diante da falta de determinados produtos.


Durante a inspeção, a Defensoria constatou que cada UTI tinha apenas um médico plantonista para atender até dez leitos de alta complexidade. O relatório final da vistoria ainda está sendo elaborado.


A inspeção foi realizada na quarta-feira (15) pelos defensores públicos Davi Rafael Silva Veras, do Núcleo de Defesa da Criança e do Adolescente, e Vinicius Goulart Reis, do Núcleo de Defesa da Saúde.


Segundo a Defensoria, em todas as UTIs havia apenas um médico plantonista por setor para atender até 10 leitos de alta complexidade. Também foi constatada a ausência de médicos diaristas, responsáveis técnicos e coordenadores durante o período da tarde.


A Defensoria aponta ainda que parte dos profissionais que atuavam nas UTIs não possuía a especialização exigida pelas resoluções RDC nº 7/2010 e RDC nº 137/2017 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Em um dos casos, uma médica plantonista confirmou não ter formação especializada em terapia intensiva pediátrica.


Durante a fiscalização, a Defensoria também identificou relatos de falta de medicamentos e insumos. De acordo com o órgão, a informação foi confirmada pela direção do hospital, por profissionais da unidade e por familiares de pacientes.


Segundo os profissionais ouvidos, quando ocorre a falta de determinados medicamentos, é necessário recorrer a alternativas terapêuticas que não correspondem ao chamado "padrão-ouro" da medicina.


Defensoria Pública diz ter encontrado equipe de médicos insuficiente após inspeção no 


Defensoria pede investigação

Após a inspeção, a Defensoria solicitou as escalas de médicos, enfermeiros e fisioterapeutas, com a identificação das especialidades de cada profissional, para verificar o cumprimento das normas da Anvisa.


O órgão também requisitou os relatórios oficiais dos indicadores de qualidade e das taxas de mortalidade referentes aos meses de maio, junho e julho de 2026.


Além disso, a Defensoria pediu a abertura de uma investigação interna no Hospital da Criança e na Secretaria Municipal de Saúde (Semus). Também solicitou o acionamento do Comitê Estadual de Prevenção da Mortalidade Materno-Infantil para analisar os óbitos recentes, com atenção especial ao caso dos bebês gêmeos.


A Defensoria recomenda ainda uma apuração sobre o funcionamento do Núcleo Interno de Regulação (NIR) do hospital, após a identificação de divergências nas informações sobre a transferência de pacientes para outras unidades de saúde.


Por fim, a Defensoria informou que encaminhou as informações ao Ministério Público do Maranhão e aos conselhos profissionais de Medicina (CRM), Enfermagem (Coren) e Fisioterapia e Terapia Ocupacional (Crefito), para que sejam adotadas as providências cabíveis.


Acordo mantém médicos das UTIs por mais 60 dias

Conselheiros tutelares fazem ato em apoio às famílias de crianças mortas

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Um acordo mediado pelo Ministério Público do Maranhão garantiu a continuidade, por mais 60 dias, dos serviços médicos nas UTIs Pediátricas do Hospital da Criança Dr. Odorico Amaral de Matos, em São Luís.


A medida foi tomada durante audiência com representantes da Secretaria Municipal de Saúde (Semus), da Procuradoria-Geral do Município (PGM) e do Instituto Brasileiro de Serviços Médicos (IBMED), responsável pela gestão das unidades.


A audiência ocorreu após o IBMED solicitar um reajuste de 114% no contrato com a Semus, alegando aumento dos custos para manter as equipes médicas, principalmente devido à contratação de profissionais de Teresina (PI), após a recusa de médicos intensivistas locais em firmar vínculo com a empresa.


Enquanto a Semus informou que o pedido será analisado, a PGM destacou que qualquer recomposição financeira depende de estudos técnicos. 

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