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Mortes em UTIs do Hospital da Criança de São Luís são investigadas pelo Ministério Público do Maranhão
Reclamações sobre assistência médica, falta de profissionais e aumento de óbitos motivam investigação do MP no Hospital da Criança
Após perder os dois filhos, o pai registrou boletim de ocorrência e a Polícia Civil instaurou inquérito para investigar se houve eventual responsabilidade de profissionais ou da unidade hospitalar. O delegado responsável informou que testemunhas estão sendo ouvidas e que o caso será concluído após análise técnica das circunstâncias das mortes.
Outra família que cobra esclarecimentos é a de Otton, criança com paralisia cerebral, microcefalia e síndrome de West. Internado para tratamento de uma infecção intestinal, ele permaneceu hospitalizado por 17 dias antes de morrer. Os pais afirmam que não foram informados sobre o desenvolvimento de um quadro de sepse e alegam que exames importantes deixaram de ser realizados durante a internação. Segundo eles, mesmo após a transferência para a UTI, a assistência foi insuficiente para reverter o agravamento do estado clínico.
Além dos relatos de familiares, profissionais de saúde que atuam no Hospital da Criança também prestaram informações ao Ministério Público. Sob condição de anonimato, médicos e servidores afirmaram que os problemas se intensificaram após a mudança na gestão das UTIs, ocorrida em outubro do ano passado. Segundo esses relatos, parte dos novos profissionais contratados não teria formação específica em pediatria ou experiência no atendimento de pacientes infantis críticos.
Os depoimentos também descrevem superlotação, utilização de setores destinados à estabilização temporária para internações prolongadas e episódios em que pacientes graves permaneceram sem monitoramento contínuo. Um dos relatos cita a morte de uma criança que sofreu parada cardiorrespiratória em um leito de isolamento sem que a equipe percebesse imediatamente a ocorrência, situação que também integra o conjunto de fatos analisados pelos órgãos de fiscalização.
Em nota, a Prefeitura de São Luís afirmou que o Hospital da Criança mantém quadro de profissionais compatível com as exigências da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e negou a existência de desabastecimento generalizado de medicamentos e insumos. O município também sustentou que o processo licitatório e o contrato firmado com o IBMED observaram a legislação vigente e destacou que representações apresentadas ao Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA) sobre o tema foram arquivadas.
O Conselho Regional de Medicina do Maranhão (CRM-MA) informou que acompanha a situação da unidade para verificar as condições de assistência e de trabalho dos profissionais, ressaltando que adotará as providências cabíveis caso sejam constatadas irregularidades. Já o Ministério Público Federal comunicou que recebeu as denúncias e fará análise sobre eventual atuação na esfera federal. O Ministério da Saúde também informou que apura as reclamações encaminhadas à Ouvidoria relacionadas às mortes registradas no Hospital da Criança.
Enquanto os diferentes órgãos conduzem suas investigações, familiares aguardam a conclusão dos inquéritos e cobram esclarecimentos sobre as circunstâncias das mortes. O Ministério Público informou que a continuidade das apurações deverá definir se houve falhas individuais, problemas estruturais na assistência ou irregularidades na gestão da unidade de saúde.









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