Bolsonaro tem projeto para atacar domínio da Globo na publicidade
Além de prometer cortar verba oficial, presidente quer proibir mecanismo legal que críticos afirmam dar maior parte do mercado para a emissora

A imprensa repercute um projeto do deputado federal eleito Alexandre Frota (PSL-SP), aliado do presidente e ex-ator de novelas da emissora, para proibir a prática do BV (Bonificação por Volume), mecanismo que beneficiaria o canal carioca.
“O projeto foi entregue a mim e a uma equipe de profissionais com autorização do Jair. Vou apresentar ao presidente e me reunirei com SBT, RedeTV!, TV Record e talvez a Band”, disse Frota.

“Vamos buscar junto ao Parlamento brasileiro a questão do BV. Isso tem de deixar de existir. Eu aprendi há pouco o que é isso e fiquei surpreso e até mesmo assustado”, disse Bolsonaro
Segundo ele, o objetivo é acabar com a chamada Bonificação por Volume (BV), introduzido pela Globo nos anos 60, que paga comissão às agências de publicidade para ser escolhida como o principal meio de veiculação para os clientes, os empresários, donos das maiores empresas do país.
Apesar de bombástica, eventual proibição do BV não fará os publicitários deixarem de privilegiar a Globo.
Apesar de bombástica, eventual proibição do BV não fará os publicitários deixarem de privilegiar a Globo.
Mesmo sem ganhar os 10% ou 20% de praxe, eles continuarão a preferir a emissora com mais audiência para garantir a repercussão dos produtos anunciados e o retorno esperado por seus clientes.

Na média diária, das 7h à meia-noite, a Globo frequentemente registra mais pontos no Ibope do que a soma dos índices de RecordTV e SBT.
Esse incontestável poder de influência atrai o grosso da verba milionária da publicidade brasileira. Como dizem no meio, ‘anunciar na Globo é certeza de resultado’.
O funcionamento do BV é simples. Um anunciante contrata uma agência de publicidade para promover um produto. Os veículos de comunicação pagam uma comissão para as agências, o BV, para que elas os escolham como destinatários da verba.
Para os críticos, isso cria um ciclo vicioso em que o meio mais rico do Brasil, a TV aberta, mantém seu domínio sobre o bolo publicitário alimentando as agências com BVs.
Para os críticos, isso cria um ciclo vicioso em que o meio mais rico do Brasil, a TV aberta, mantém seu domínio sobre o bolo publicitário alimentando as agências com BVs.
Em um momento deliciado da economia brasileira, qualquer perda de receita provoca impacto, porém, mesmo se a Globo for atingida por cortes ordenados por Bolsonaro, não terá seu lucro real tão afetado.
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