Mil dias de Flávio Dino e o golpe que não aconteceu…
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A cassação de Jackson Lago em 2009 com a subsequente posse da segunda colocada – fato único na jurisprudência do TSE – fez aumentar essa áurea de invencibilidade. Ficava provado que, mesmo com o peso do governo federal, da popularidade de Lula, da economia de vento em popa, se a população não quisesse um Sarney no comando, o velho Sarney movimentaria mundos e fundos em Brasília para garantir que isso ocorresse.
O ano de 2017 veio desfazer esse estigma. A eleição de Flávio Dino em 2014, soterrando a candidatura de Edinho no primeiro turno chegou a ser desdenhada por adversários. O velho Sarney não deixaria por menos e iria sufocar por Brasília o governo local que não resistiria.
A grande esperança sarneysista brilhou no horizonte em abril de 2017. A citação do governador por um dos funcionários da Odebrecht presos acendeu expectativas de que ele poderia vir a ser cassado, em um processo correndo diretamente na Justiça Federal, onde Sarney tem mais influência.
O resultado é que, após a análise da denúncia, a Procuradoria Geral da República concluiu que não havia sequer indícios que pudessem embasar uma investigação contra o governador, que foi sumariamente absolvido pelo Supremo Tribunal Federal, a pedido de Janot.
Assim que, esta semana, pela primeira vez, um governo não alinhado aos Sarney chega aos mil dias. E projeta para o próximo ano condições favoráveis para voltar a enfrentar a oligarquia: o poder do governo local, um portfólio de obras considerável e a maioria da classe política, bem como da aprovação popular. Do outro lado do tabuleiro, a família Sarney irá pela segunda vez na história enfrentar o Palácio dos Leões. Na primeira, perdeu e recorreu a Brasília. Na segunda, não lhe coube essa alternativa. Agora irá lutar com que?
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