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segunda-feira, 16 de março de 2026

Acusado de tentar matar jovem negro após alegar que ele roubava o próprio carro vai a júri em Açailândia

Estado

Acusado de tentar matar jovem negro após alegar que ele roubava o próprio carro vai a júri em Açailândia

Autor desconhecido

16 de março de 2026 às 10:20

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Acusado de tentar matar jovem negro após alegar que ele roubava o próprio carro vai a júri em Açailândia

O julgamento de Jhonatan Silva Barbosa ocorre nesta segunda-feira (16), no Tribunal do Júri de Açailândia, no Maranhão. Ele é acusado de tentativa de homicídio contra Gabriel da Silva Nascimento, em um caso ocorrido em 2021 e que ganhou repercussão nacional. Segundo a acusação, o crime aconteceu após a vítima ser confundida com um ladrão enquanto verificava o próprio carro em frente ao prédio onde morava. O Ministério Público sustenta que a agressão pode ter sido motivada por racismo, o que pode agravar a pena em caso de condenação.


De acordo com a denúncia, Gabriel, que na época tinha pouco mais de 20 anos, foi abordado por Jhonatan e pela esposa dele, Ana Paula Costa Vidal, quando fazia uma checagem no veículo, um Chevrolet Agile, na manhã do dia 18 de dezembro de 2021. O casal teria suspeitado que o jovem estivesse cometendo furto. Mesmo após afirmar que era o dono do carro e morador do local, ele foi obrigado a sair do veículo com as mãos para cima e, em seguida, passou a ser agredido.


Ainda conforme a acusação, Gabriel foi derrubado no chão e espancado com socos, chutes e pisões, além de ter o pescoço pressionado, o que dificultou a respiração. A denúncia relata que o acusado chegou a aplicar um golpe conhecido como “mata-leão” e pisou no pescoço da vítima várias vezes, tentando asfixiá-la. As agressões só pararam após a intervenção de um vizinho, que confirmou que o jovem era morador do prédio e proprietário do veículo. Toda a ação foi registrada por câmeras de segurança.


A defesa nega a tentativa de homicídio e afirma que o acusado apenas tentou conter o jovem até a chegada da polícia. Já a assistência de acusação sustenta que o caso pode ser considerado crime com motivação racial, pois a vítima teria sido acusada sem qualquer prova, apenas por ser negra. Segundo o advogado Marlon Reis, que atua no caso, o julgamento pode representar um marco no combate à violência motivada por preconceito e reforçar a aplicação da lei em crimes dessa natureza.


O processo teve início após Gabriel registrar boletim de ocorrência e realizar exame de corpo de delito no dia seguinte ao crime. Os acusados não foram presos em flagrante e respondem ao processo em liberdade. Ana Paula Costa Vidal chegou a ser denunciada por tentativa de homicídio, mas a Justiça desclassificou a acusação para lesão corporal, retirando o caso dela do Tribunal do Júri.


Jhonatan Silva Barbosa já possui antecedente criminal por um atropelamento com morte ocorrido em 2013. Na ocasião, ele foi condenado a pena alternativa. O julgamento desta segunda-feira é acompanhado com expectativa por familiares da vítima e por entidades que atuam no combate ao racismo, que veem no caso a possibilidade de responsabilização por um crime marcado por suspeita de discriminação racial.


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