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quarta-feira, 26 de janeiro de 2022

Impéŕatriz no Maranhão 

Acusados de agredir jovem negro no Maranhão são indiciados por tentativa de homicídio

A Polícia Civil do Maranhão concluiu o inquérito do caso de Gabriel da Silva Nascimento, de 23 anos, que foi agredido dentro do próprio carro, em frente de casa, em Açailândia, no Maranhão, a 567 km de São Luís. Os acusados das agressões, o empresário Jhonnatan Silva Barbosa e a dentista Ana Paula Vidal, foram indiciados por tentativa de homicídio, com pena que varia de 6 a 20 anos de prisão.

Além do indiciamento dos acusados pelo crime, a polícia também pediu a prisão preventiva de Jhonnatan Silva, pois há indícios de que o agressor possa tentar fugir.

Antes da conclusão do inquérito, a Polícia Civil já havia feito o pedido de prisão de Jhonnatan, que foi negado. Agora, a polícia espera que a Justiça acate o novo pedido.

Segundo o delegado Saniel Ricardo Trovão, titular do 1° Distrito Policial de Açailândia, que presidiu o inquérito do caso Gabriel, a princípio o crime havia sido classificado como lesão corporal, mas, após receber do Instituto de Criminalística o laudo pericial das agressões sofridas por Gabriel, a configuração do crime mudou para tentativa de homicídio.

O inquérito aponta que Jhonnatan tentou sufocação indireta ao permanecer com os pés sobre o tórax da vítima. Ana Paula também teria tentado sufocar Gabriel ao se ajoelhar sobre o tórax e abdômen da vítima.


O crime

O crime aconteceu no dia 18 de dezembro de 2021, quando Jhonnatan e Ana Paula agrediram Gabriel, acusando-o de tentar roubar o próprio carro. Os indiciados moram no mesmo prédio em que o jovem residia.


Imagens de câmeras de segurança flagraram o momento em que Gabriel é abordado por Jhonnatan e Ana Paula, que mandam ele sair do carro. O jovem sai e coloca as mãos para cima, em sinal de rendição. Depois, passa a ser agredido com socos, chutes e pisões, tapas, sendo que Ana Paula chega a colocar os joelhos na barriga da vítima, enquanto Jhonnatan pisa o pescoço do jovem.

Paula chega a colocar os joelhos na barriga da vítima, enquanto Jhonnatan pisa o pescoço do jovem.

Gabriel afirma ter dito aos agressores que era dono do carro e que o documento dele estava dentro do veículo, porém eles não deram atenção e o agrediram

“Foi aqui que eu achei que iria morrer. É no momento que ele sobe em cima de mim, junto com ela, com os joelhos... Ali é sufocante, porque ela manda ele me imobilizar, pisando no meu pescoço. Eu me senti sem ar”, disse o jovem em entrevista ao Fantástico.

A sessão de espancamento só parou quando um vizinho viu a situação e reconheceu que a vítima morava no prédio e era dono do carro de onde foi retirado.

De acordo com Gabriel, ele estava a caminho da confraternização da empresa em que ele trabalha, quando de repente o casal agressor se aproximou do veículo dele e o arrancou do carro acusando Gabriel de ser um ladrão. O jovem, que trabalha como recepcionista de uma agência bancária, havia comprado o carro há 2 meses.

Ele tentou pedir socorro, mas não adiantou, pois continuou sendo agredido pelo casal com socos e pontapés. A vítima disse que foi ofendido enquanto recebia as agressões.

No dia das agressões, Gabriel foi à delegacia para fazer um boletim de ocorrência, mas em três tentativas diferentes, ele foi informado de que o sistema estava fora do ar. Por isso, só conseguiu registrar a queixa no dia seguinte, o que impediu a prisão em flagrante dos agressores.

Racismo

Gabriel afirma que as agressões podem ter sido motivadas pelo fato de ele ser negro.

"Eu quero que aconteça a justiça. É revoltante uma situação dessa, por achar que, por ser magro, negro, não poderia ter um carro. Quero que haja justiça porque isso não pode acontecer com as pessoas. Se fecharmos os olhos, pode acontecer até pior até com um familiar nosso. Isso é racismo. É crime", declarou Gabriel.

Para o advogado de Gabriel, o racismo é evidente. "Foi um caso de racismo. Muitas vezes se busca, para a caracterização de um episódio claro de racismo, a verbalização, a utilização de palavras que denotem o preconceito racial, mas isso não é o padrão brasileiro, baseado em racismo estrutural", defende o advogado Marlon Reis, em entrevista ao Fantástico.

Jhonnatan Silva Barbosa já foi condenado pela Justiça por ter atropelado e matado um senhor de 54 anos, em 2013. Ele foi condenado a 2 anos e 8 meses de prisão, que foram convertidos em serviços comunitários e multa de um terço de um salário mínimo.

Ele foi procurado para se manifestar sobre o caso de Gabriel, mas se negou a falar com a imprensa sobre o caso.

Já Ana Paula Vidal pediu desculpas, por meio de nota, e disse que não teve uma atitude racista.

Gabriel da Silva Nascimento se mudou do prédio que morava, pois ele pertence à família de Ana Paula. Com medo, o jovem teve acompanhamento da polícia para retirar seus pertences do local.

Por g1-MA 

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