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sábado, 20 de novembro de 2021

Deputado e delegado do PSL revela preço da eleição de Lira: "R$ 10 milhões para cada parlamentar"

O deputado bolsonarista Delegado Waldir (PSL) afirmou que o controle dos investimentos do governo federal "saiu dos ministérios" e "ficou concentrado" nas mãos do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL) e do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD). “Ele é quem carrega o governo. Quem manda no governo hoje é o Lira. Não é o Bolsonaro, é o Lira”

Em entrevista o The Intercept Brasil, Waldir Soares de Oliveira (PSL), Delegado Waldir, revelou o que aconteceu internamente sobre a eleição que levou o deputado Arthur Lira (PP) à presidência da Câmara dos Deputados. “A promessa de R$ 10 milhões em emendas do orçamento secreto para cada deputado que votasse em Lira. É o Bolsolão, o esquema de compra de votos do governo Bolsonaro”, diz o parlamentar.

Waldir contou ao The Intercept detalhes do esquema do “orçamento secreto” de Jair Bolsonaro, ou seja, a compra de votos por intermédio de emendas do relator, “um modelo novo de rubrica de gastos que totaliza o montante de R$ 18,5 bilhões em 2021, propostos por deputados cujos nomes são guardados em sigilo pela Câmara”. O pagamento foi suspenso pelo Supremo Tribunal Federal (STF) após decisão liminar de Rosa Weber.

“Waldir diz ter recebido a oferta de R$ 10 milhões em emendas em troca do voto em Lira. Pode ter sido até mais. Waldir, em dado momento da conversa, disse que outros R$ 10 milhões foram acordados no mesmo período, mas ele não soube precisar se também em troca do voto em Lira ou da aprovação de algum outro projeto à época”, destaca o The Intercept.

Sem a transparência devida, as emendas secretas teriam se tornado peças de barganha para que Lira aprove projetos de interesse do governo ou dele mesmo. “Ele é quem carrega o governo. Quem manda no governo hoje é o Lira. Não é o Bolsonaro, é o Lira”, disse.

Waldir denunciou também que o deputado bolsonarista Vitor Hugo, do mesmo partido, recebeu R$ 300 milhões em emendas secretas e que ainda deputados da oposição receberam verbas do orçamento secreto após negociações com Lira.

Por Gilberto Lima 

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