quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

Promotoria investiga se idosa que foi asfixiada pela filha no Hospital Carlos Macieira era vítima de violência antes de ser internada


A Promotoria de Defesa do Idoso do Maranhão vai investigar se a idosa Ana Benedita Figueiredo, de 68 anos, que foi flagrada sendo asfixiada pela própria filha em um leito do Hospital Dr. Carlos Macieira em São Luís, era vítima de algum tipo de violência antes de ser internada no hospital.

De acordo com o Augusto Cutrim, promotor do idoso, serão analisados como essa idosa vivia, qual era a relação dela com a filha, Luciana Paula Figueiredo e os cuidados que ela tinha em casa. Além disso, a promotoria quer saber se a doença na qual ela foi internada no hospital é recente ou antiga e se ela tem alguma relação com os possíveis maus tratos que ela poderia estar sofrendo.

“Vamos saber se realmente antes dessa tentativa de homicídio foi registrado algum tipo de maus tratos anteriormente. Por exemplo, será se a medicação dela estava correta? Será se estavam dando algum outro tipo de medicação, reduzindo ele de alguma forma? Qual era o estado de saúde dela e se isso se agravou ao longo do tempo ou muito rapidamente? São perguntas que precisam ser respondidas. E os demais familiares dela [da idosa], onde estão?”, explicou.

Segundo o promotor, muitos casos de violência contra o idoso no Maranhão são identificados quando as famílias procuram asilos para internar idosos, alegando não ter tempo e nem condições para cuidar deles. Para a promotoria, isso é visto, na maioria das vezes, como uma forma de se livrar daquela pessoa.

“A responsabilidade primeira é da família. Não pode achar porque o seu pai, mãe, avô ou avó envelheceram, ou estão com alguma limitação corporal, porque houve queda na autonomia ou independência dessa pessoa que você pode descartá-lo. É comum aparecer na promotoria famílias aparecendo querendo colocar os seus em asilos, porque a justificativa é que eles não dão mais conta, que eles não tês mais condições de saúde para cuidar dos idosos, é uma forma de se livrar daquela pessoa. Parece que o idoso não é mais gente, não é mais portador de direito, ele virou um objeto”, disse.

A Secretaria de Estado da Saúde (SES) informou que a idosa continua internada no Hospital Carlos Macieira e que o estado de saúde dela é considerado estável. Ana Benedita Figueiredo possui um quadro de embolia pulmonar, e está internada na unidade desde o dia 19 de janeiro.

Prisão em flagrante

Luciana Paula Figueiredo, filha da idosa, continua presa em São Luís e foi indiciada por tentativa de homicídio. O inquérito que investiga o caso tem mais sete dias para ser concluído e está sendo investigado pela Delegacia do Idoso em São Luís. A principal suspeita é que ela tenha tentado matar a mãe para tentar se livrar dos cuidados que tinha com ela.

A polícia deve interrogar a suspeita mais uma vez, além das testemunhas que ainda não foram ouvidas. Uma das pessoas que fez as imagens disse ao delegado do idoso, Roberval Rodrigues, que está sofrendo ameaças e intimidações por conta das imagens que foram feitas no dia do crime.

“Falei com uma testemunha pelo telefone, intimando ela por telefone, e ela me falou que apareceu um parente dela [Luciana Paula], para saber quem tinha sido as pessoas que tinham gravado, filmado, esse tipo de intimidação. Vamos apurar isso”, disse o delegado.

Entenda a tentativa de assassinato

Luciana Paula Figueiredo, de 32 anos, foi presa em flagrante nessa terça-feira (28) por suspeita de tentar matar por asfixia a mãe, a idosa Ana Benedita Figueiredo, de 68 anos, em um leito no Hospital Dr. Carlos Macieira, em São Luís.

O crime foi filmado por acompanhantes de outros pacientes que estavam na mesma enfermaria e perceberam uma movimentação estranha no leito. O vídeo mostra a idosa sendo asfixiada pelo nariz e pela boca, com a ajuda da mão da filha, que ainda usa um lençol para impedir que ela consiga respirar.

A idosa está internada desde o dia 19 de janeiro com um quadro grave de embolia pulmonar. Ela chegou a ter uma melhora e foi transferida para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para um dos leitos do hospital, quando sofreu a tentativa de homicídio. Por conta do crime, ela teve que ser levada de volta à UTI.

Em depoimento à polícia, a filha negou o crime, afirmou que tem uma boa relação com a mãe e disse que colocou a mão na boca da mãe por outra finalidade.


Com informações do G1 MA

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