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segunda-feira, 25 de outubro de 2021

Família de jovem encontrado morto reclama da demora em resultado de exame de DNA; corpo continua no IML



A família do jovem Marcelo Melo Machado, de 25 anos, que passou 30 dias desaparecido e foi encontrado morto em um matagal, em São José de Ribamar, reclama da demora na divulgação do resultado do exame de DNA, e diz que o sofrimento é grande porque o sepultamento ainda não foi realizado.

“Eles coletaram material no último dia 11, mas ninguém diz nada. A previsão era de que o resultado ficaria pronto em até 72 horas. Não entendemos essa demora. Meu filho continua no IML e precisamos fazer o enterro porque o nosso sofrimento é grande”, diz Miriam Melo, mãe de Marcelo.

Após o sepultamento, a família afirma que vai lutar por justiça para que o crime não fique na impunidade.

Corpo encontrado


O corpo de Marcelo Melo foi encontrado em uma área de matagal, na Vila São José, em São José de Ribamar, no dia 8 deste mês.  Ele estava em adiantado estágio de decomposição e com um buraco à altura do rim direito, que pode ter sido provodado por um disparo de arma de fogo. Pelo calção que estava no corpo, a mãe fez o reconhecimento do filho.

“Por essa foto aí, eu confirmo que é o meu filho. O shortinho que ele estava usando tem essas duas listras e a cor verde escuro. Pelo corpo dele também, pela cabeça, pelos braços, pelos pés, tudo dá de ver que é ele. Pela foto é ele, não tenho dúvida nenhuma”, disse a mãe.

Desaparecimento e condução por uma guarnição da PM


Marcelo saiu de sua residência, na Rua 4, casa 24-B, na Gancharia, região do Anjo da Guarda, no dia 6 setembro deste ano.

No dia 20 de setembro, a mãe do jovem, Mirian Costa Melo, recebeu vídeo e fotos que mostravam o filho na localidade Pindoba, em Paço do Lumiar, sendo levado por uma guarnição da PM, que foi ao local após ser acionada pelo Ciops.

Em uma das imagens, do dia 9 de setembro, Marcelo está sentado, encostado em um poste, com as mãos livres. Em seguida, ele já aparece sendo levado para a viatura, por dois policiais do 22º BPM, com as mãos amarradas por uma corda.

Segundo a PM, a guarnição foi acionada porque Marcelo estaria tentando adentrar as casas e aparentava estar sob efeito de alguma substância. A mãe disse que isso poderia ser em decorrência da falta de medicamentos controlados que ele toma, pois Marcelo não é usuário de nenhum tipo de droga.

Em vez de levar o jovem para uma delegacia da área, onde seria feito o levantamento de toda a situação e tentativa de localizar familiares, os policiais o abandonaram pelo caminho.

PMs afastados

A Polícia Militar afastou os dois policiais suspeitos de envolvimento no desaparecimento do jovem Marcelo Machado, de 25 anos, que tinha deficiência mental.

O sargento, identificado como Luís Magno da Silva, e o soldado Giovani dos Santos Silva foram afastados das ruas por decisão do Comando Geral da Polícia Militar.

A Polícia Militar decidiu pelo indiciamento dos dois policiais militares por abandonarem alguém que estava sob custódia da PM e que era incapaz de se defender dos riscos resultantes do abandono, o que é considerado crime militar. O inquérito apurou apenas erros operacionais dos policiais, que disseram ter levado o jovem na viatura e depois entregue a supostos conhecidos.

Além deles, outros dois policiais que coordenaram a ocorrência, no centro de operação da polícia (CIOPS) também foram indiciados, porque teriam que acompanhar o caso até Marcelo ser levado à delegacia.

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