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quarta-feira, 15 de setembro de 2021

 Empresário e senador Magno Bacelar, fundador da TV Difusora, morre em São Luís

Ele havia sofrido um AVC, no último dia 4 de setembro, e estava internado na UTI de um hospital de São Luís

Morreu em São Luís, na madrugada desta terça-feira (14) Carlos Magno Duque Bacelar, ex-senador e empresário, aos 83 anos. Ele havia sofrido um Acidente Vascular Cerebral (AVC), no último dia 4 de setembro, e estava internado na UTI de um hospital da capital.

O velório será realizado na Pax União, Rua Grande, até às 15 horas. Em seguida, o corpo  será levado para a cidade de Coelho Neto, sua terra-natal, onde será sepultado.

Além de senador, Magno Bacelar ocupou vários cargos no Maranhão, como deputado estadual e federal, secretário de Estado da Educação, vice-prefeito de São Luís, eleito com Jackson Lago, e prefeito de Coelho Neto.

Em 1963, Magno Bacelar fundou a TV Difusora e e foi diretor do Jornal do Dia, ambos em São Luís.

Em sua página no Facebook, a apostagem foi no dia 30 de abril deste ano. Ele escreveu: “Bom dia, eu amo a todos e desejo-lhes boa sorte. Continuo orando pelo fim da pandemia e pedindo às pessoas que façam a sua parte e Deus completará tudo nos dando a cura”.

O prefeito de Coelho Neto, Bruno Silva, lamentou a morte de Bagno Bacelar e decretou luto oficial de três dias. “Coelho Neto perde o ex-prefeito Dr. Magno Bacelar, seu filho ilustre, cujo legado seguirá vivo para testemunhar o grande homem que foi. Nossas orações pela família e amigos, na certeza de que Deus confortará a todos”, publicou o gestor em suas redes sociais.

Quando a Rádio Difusora AM saiu do ar, Magno Bacelar escreveu sobre a história da emissora, em 6 de dezembro de 2018:

DIFUSORA AM SAI DO AR

Houve um tempo, não muito distante (anos 50-70), em que a Radio Difusora do Maranhão foi o veículo de comunicação mais importante do Estado, talvez, do nordeste brasileiro. Sem telégrafo, telefone, televisão, satélites, internet e tantos   outros veículos modernos, o único elo de ligação do homem interiorano com o resto do universo eram as ondas sonoras do rádio. Locutores transformavam-se em ídolos e ícones para milhares de pessoas isoladas e sedentas de notícias e conhecimentos. Novelas radiofônicas tornaram célebres autores e interpretes, ídolos imaginários.

 Dentre as funções que eu assumiria ao regressar formado a São Luís, pontificava dirigir a Rádio Difusora, símbolo da audácia e competência de Raimundo Bacelar, um homem de Coelho Neto. Transmitindo em ondas curtas, tropicais e médias, a emissora cobria área imensurável e alcançava países europeus e africanos justificando a existência do programa “Difusora Internacional” e um departamento encarregado de responder cartas recebidas de todo o Brasil e recantos inimagináveis do mundo.

 Dotada de equipamentos avançados dentre os quais veículo equipado para transmissões externas que imortalizaram o repórter J. Alves. As instalações físicas sofisticadas e luxuosas além de grande auditório impressionavam e atraiam   visitantes e turistas. Os mais famosos artistas nacionais semanalmente se apresentavam em São Luís. Programas memoráveis alegraram as manhãs de domingo, abriram portas para jovens talentos locais e celebrizaram nomes como Audi Dudman, Lima Junior e tantos outros.

 No decorrer da semana as portas se abriam às cinco horas da manhã com o inesquecível “bom dia cumpadi”, fraterna ligação entre a cidade e o campo. Caboclos vinham de longe para conhecer os apresentadores e permanecendo horas a admirá-los. Traziam presentes e chegavam ao êxtase quando tinham os nomes mencionados ao microfone. Dentre outros, o programa consagrou Almir Silva e Jairzinho que chegou a vereador de São Luís e deputado estadual. 

“Quem manda é você” de Zé Branco e “Correio musical Eucalol” com Zé Joaquim campeões de participação popular e cartas recebidas completavam a audiência esmagadora das manhãs que culminavam com “A Difusora Opina” criação do imortal poeta Bernardo Almeida, deputado estadual, diretor e um dos fundadores da Emissora.

Às dezesseis horas a sintonia estava “Debaixo do Pé de

Cajueiro”. Música nordestina e “causos acunticidos”, (cultura popular e puro folclore). A Hora do Angelus (18 horas) encerrava as atividades diurnas com Ave Maria radiofonizada.  O “Correio do Interior”, carro chefe da utilidade pública e audiência, espécie de Whatzapp aberto  e sonorizado para o mundo. O homem interiorano comparecia à rádio escrevia seu recado e, muitas vezes, esperava para assistir à leitura feita por dois excelentes locutores que se alternavam a cada texto; o programa chegava a durar mais de uma hora.  Ouvintes esperavam ávidos para se divertir com a singeleza e sinceridade dos recados. Exemplo: caboclo vinha da baixada observar o mercado da carne e orientar   o momento oportuno para mandar gado para abate e dando origem a perolas de avisos como este: “atenção Manoelzinho, não mande vaca agora, negócio boi mole”.

 Seria injusto omitir a qualidade dos noticiários, a posse do presidente Kennedy foi coberta pela Difusora, e a qualidade dos locutores que eram criteriosamente selecionados para chegarem aos microfones. Por oportuno e Justiça devo mencionar a participação das mulheres na composição do elenco da Difusora, e o faço na pessoa de Maria Falcão que por capacidade, pertinácia e brilhantismo se fez presente.

Não foi para lamúrias que escrevemos este texto, a eliminação das emissões de longo alcance faz parte do Plano Nacional de Radiodifusão e da segurança Nacional. A lembrança histórica já registrou a importância e qualidade dos serviços prestados, pela Difusora AM, ao Maranhão e ao Brasil por mais de meio século.

Por Gilberto Lima 

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