segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Garoto de 11 anos que vive com Família Acolhedora, serviço da Prefeitura de São Luís, reencontra mãe depois de quase 10 anos

Serviço integra as ações assistenciais da gestão do prefeito Edivaldo que visa o bem-estar de crianças e adolescentes e atua para o fortalecimento de vínculos afetivos entre familiares biológicos

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Garoto de 11 anos que vive com Família Acolhedora reencontra mãe depois de quase 10 anosO reencontro foi tímido e silencioso, mas no olhar e no abraço de mãe e filho prevaleceu o desejo de recuperar os laços desfeitos há quase uma década, por uma série de circunstâncias adversas às quais ambos são reticentes em relatar. Esta é parte da história de vida do garoto GCL, de 11 anos, atendido pelo Serviço Família Acolhedora, de execução da Prefeitura de São Luís, por meio da Secretaria Municipal da Criança e Assistência Social (Semcas).  O serviço é mais uma ação desenvolvida na gestão do prefeito Edivaldo Holanda Junior, visando ao bem-estar de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade e violação de direitos. Ao longo dos últimos cinco anos foram realizados cerca de 830 acolhimentos de crianças e adolescentes em parceria com a rede conveniada.
No fim do mês passado, o garoto GCL teve o primeiro encontro para o fortalecimento de vínculos afetivos com a sua mãe biológica, Ana Claudia da Conceição. No dia 9 de setembro, em audiência concentrada na 1ª Vara da Infância e da Juventude, no Fórum Desembargador Sarney Costa, o juiz José Américo Abreu Costa determinou a reinserção familiar do garoto  na família de origem e deferiu ainda pela guarda compartilhada entre a mãe biológica e a atual guardiã pela Família Acolhedora, Analia Lima. O garoto GFCL solicitou ao juiz a inclusão no seu registo de nascimento do sobrenome da Sra. Analia em virtude de sentimento de pertencimento e identificação com o grupo familiar que o acolheu.
O serviço da Semcas oferece a este público um lar temporário em casas de famílias cadastradas e capacitadas para ação, em decorrência das famílias originárias estarem impedidas temporariamente de exercer sua função de proteção e cuidado. Segundo a secretária municipal da Criança e Assistência Social, Andréia Lauande, o Família Acolhedora propicia às vítimas de agressões físicas e psicológicas, abuso e exploração sexual ou negligência familiar, sendo esse último o caso de GCL, uma convivência mais afetiva e comunitária, ao invés do acolhimento institucional em abrigos coletivos.
Andréia Lauande compartilha que momentos ímpares como esse ratificam a segurança no trabalho realizado pela gestão do prefeito Edivaldo, pela equipe da Semcas, em conjunto com outras instituições. "O reencontro de GCL com sua mãe em um dado momento parecia impossível - uma historia marcada por desencontros e resgatada pela politica de Assistência Social da gestão do prefeito Edivaldo, que prima pelo convívio familiar e comunitário. Esse caso nos encoraja a continuar o trabalho e a acreditar no Serviço Família Acolhedora e nos ambientes de acolhimentos institucionais como espaços temporários, tendo a certeza de que quando a convivência familiar é saudável, a família é o melhor lugar para o desenvolvimento da criança e do adolescente", explica, emocionada, a gestora da pasta.
O menino GCL, 11 anos, é uma das crianças atendidas pela Assistência Social da Prefeitura de São Luís, após ter sido encaminhado pelo Conselho Tutelar do município de Igarapé do Meio, onde vivia perambulando, negligenciado pela família com a qual a sua mãe biológica, Ana Claudia da Conceição, o havia deixado ainda na primeira infância, antes de viajar para São Paulo, segundo ela, em busca de melhores condições de vida e fugindo de agressões domesticas, além do pai da criança não permitir que ela o levasse consigo. Naquela cidade, acabou permanecendo por conta do tratamento de uma doença grave que a acometeu nesse período.
O garoto foi acolhido pela Casa de Passagem, instituição social mantida pela Prefeitura de São Luís, desde os 9 anos de idade, atendendo a todos os trâmites judiciais cabíveis ao seu caso, ordenados pela Vara da Infância. Por atender ao perfil dos beneficiários do Serviço Família Acolhedora, o menino foi inserido na ação e passou a viver no lar da professora aposentada, Analia Silva Lima, 68 anos, representante de uma das famílias integrantes da ação. Na casa dos Silva Lima o menino vive cercado de carinho e cuidados há cerca de um ano.
A aposentada Analia Silva analisa o serviço Família Acolhedora como um ato de amor e doação a pessoas que necessitam do afeto familiar, um sentimento considerado de extrema importância para o desenvolvimento emocional dos assistidos. "Viver com ele foi uma experiência valiosa para mim. Logicamente que o relacionamento não é fácil, como em toda família, afinal, crianças como ele chegam cheias de medos, retraídos, o que é justificável devido aos seus históricos dolorosos de vida. Mas, aos poucos, ele foi se integrando à rotina da casa e hoje é mais um membro muito amado por todos, e eu acredito que ele esteja preparado para viver uma nova fase de sua vida ao lado da sua mãe", disse a professora, que tem cinco filhos biológicos.
Morando no lar da professora, o menino vivenciou experiências consideradas por ele muito gratificantes, como a vida em comunidade, por exemplo, que é um dos princípios do Serviço Família Acolhedora. Além de frequentar regularmente a escola, ele participa como coroinha das celebrações religiosas da Igreja Católica do bairro, integra o Corpo de Bombeiros-Mirins e faz aulas de reforço escolar no contraturno das suas aulas no ensino fundamental.
"Minha família acolhedora é maravilhosa, mas conhecer minha mãe biológica sempre foi meu grande sonho e que realizei", limitou-se a dizer o garoto, ainda tímido durante o primeiro contato com a mãe biológica, após quase uma década de laços interrompidos.
A mãe biológica do garoto, Ana Claudia da Conceição também relata a imensa vontade de reaver seu filho, após quase 10 anos de separação. "Tudo o que eu quero agora é levá-lo para viver comigo e começar a construir uma nova história ao lado do meu filho. Diversas circunstâncias dificultaram nosso reencontro nesse tempo, mas vamos recuperar tudo com muito amor", disse ela, que também tem outros dois filhos do seu relacionamento atual.
REINSERÇÃO
Além do menino GCL, a história de vida de outros crianças atendidas pelo Serviço Família Acolhedora tiveram igual desfecho, como foi o caso do pequeno R.F.C.R, 8 anos, que retornou ao seio de sua família após dois anos de acolhimento institucional. O sucesso da reinserção do garoto também foi resultado de intensa articulação realizada pela Semcas para proporcionar ao menino o destino que ele sonhava, que era viver com sua família. O garoto foi conduzido ao Rio de Janeiro, para viver com uma de suas tias, Dayse Dias Cunha, que foi considerada apta a tutelar o sobrinho, em parecer emitido pela Primeira Vara da Infância e Juventude daquele estado.
ACOLHIMENTO
O Família Acolhedora está inserido na Política Nacional de Assistência Social. O serviço não é de adoção e a criança ou adolescente deve permanecer com a família acolhedora no prazo máximo de dois anos. No entanto, dependendo da situação de violação e constatada a falta de condições da retomada do convívio com a família de origem, o prazo pode se estender. Pesquisas na área apontam o quão danoso é para as crianças a institucionalização.
Para ser uma família acolhedora é necessário atender alguns critérios, como residir em São Luís, ter disponibilidade de tempo para cuidar da criança, possuir mais de 21 anos, ser saudável para zelar pela saúde do acolhido e garantir a frequência na escola e a convivência familiar. Além disso, é necessário não ter pendências judiciais, não fazer uso de álcool e outras drogas, não ter interesse em adoção, já que o acolhido deve ser reinserido na família de origem, e ter a concordância de todos os membros da família para o possível acolhimento. Para requerer a adesão ao projeto, é necessário se cadastrar na Semcas.
Durante o período de acolhimento, a família acolhedora recebe ajuda de custo mensal de um salário mínimo para despesas como alimentação, higiene pessoal, lazer, material de consumo e vestuário. Tanto acolhidos como acolhedores receberão acompanhamento sistemático pela equipe técnica do serviço, composta por psicólogos e assistentes sociais. O acompanhamento é realizado através de rodas de conversas entre as famílias acolhedoras, as de origem e os acolhidos, assim como acompanhamento individual e visitas domiciliares.

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