Mina que abriga barragem em Brumadinho responde por 2% da produção da Vale; veja raio-X
Veja raio-X da Mina Córrego do Feijão, onde uma das 7 barragens se rompeu em MG.
Por Marta Cavallini, G1
Bombeiros ainda não conseguiram acessar região onde ficava um restaurante da Vale
A Mina Córrego do Feijão, onde está localizada a barragem que se rompeuna sexta-feira (25), em Brumadinho (MG), produziu no ano passado 8,5 milhões de toneladas de minério de ferro, que é equivalente a 2% da produção de minério de ferro da Vale.
A mina faz parte do Complexo de Paraopeba, cuja produção foi de 27,3 milhões de toneladas em 2018 – cerca de 7% da produção da Vale. Esse complexo possui 13 estruturas utilizadas para disposição de rejeitos, retenção de sedimentos, regulação de vazão e captação de água.
Detalhes sobre as barragens da Vale no Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG) — Foto: Juliane Souza/G1
Dentro da mina há sete barragens que armazenam os resíduos após a separação do minério rico, com valor econômico, do rejeito, que é material sem demanda de mercado.
Além das barragens, havia na Mina Córrego do Feijão estruturas administrativa e de apoio, como centro administrativo, refeitório e oficinas de manutenção, além de terminal de carregamento e pequena malha ferroviária para escoamento do minério de ferro.
Com o rompimento, os 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos da Barragem I vazaram pela região, deixando um rastro de destruição e morte. A lama com rejeitos de minério de ferro fez desaparecer o refeitório, que estava lotado de funcionários no momento da tragédia, e o centro administrativo.
A Vale estima que havia cerca de 300 empregados no local no momento em que a barragem se rompeu. A Mina Córrego do Feijão tem 613 empregados diretos e 28 terceirizados, que trabalham em 3 turnos de 24 horas nos 7 dias da semana.
De acordo com o Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) e a Agência Nacional de Mineração (ANM), a barragem que se rompeu tinha a maior classe da legislação ou seja, de grande potencial poluidor, e a categoria de dano potencial associado alto, que traz perdas de vidas humanas e impactos econômicos, sociais e ambientais.
No entanto, estava inativa e não recebia rejeitos desde 2015. De acordo com a Vale, estava em desenvolvimento o projeto de retirada de todos os rejeitos contidos na barragem e recuperação da área ambiental.
Com o rompimento, três das outras seis barragens foram atingidas pelo rejeito que vazou, sendo que somente a Barragem VI sofreu impacto e está sendo monitorada em tempo real.
Chega a 60 o número oficial de mortos na tragédia de Brumadinho
Como funcionam as barragens
As barragens de rejeitos de minério de ferro são construídas para armazenar resíduos resultantes do beneficiamento, que é quando ocorre a separação do material rico do rejeito. A barragem é como uma barreira. Lá ficam dispostos os rejeitos gerados no processo de beneficiamento do minério.
A barragem que se rompeu usava o sistema “a montante”, que cresce por meio de camadas, chamado de alteamento (ou elevação), feito com o próprio rejeito que resulta do beneficiamento do minério de ferro. O rejeito é formado basicamente por ferro, sílica e água.
A mineração nesse tipo de barragem faz uso de água para beneficiar o material, valendo-se de grandes reservatórios. Por isso, no processamento do minério de ferro, o rejeito tem alta umidade. O risco se dá devido ao estoque de grandes volumes de água, que podem causar rompimento da estrutura de contenção.
Caminho da lama: veja por onde passaram os rejeitos da barragem rompida em Brumadinho (MG) — Foto: Betta Jaworski/G1

/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2019/c/m/ZRnimOSBGAvPa6EEcNkg/raio-x-v3.jpg)

/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2019/F/E/WX1dn0QN2a9TEYU0KgoA/incidente-brumadinho-caminho-da-lama.jpg)
Nenhum comentário:
Postar um comentário